A Corte desembarca na Colônia. E São Gonçalo como estava? A transferência da Corte em 1808, para o Brasil, trouxe profundas mudanças à situação colonial, devido às medidas econômicas e políticas tomadas pelo príncipe regente, como a decretação da abertura dos portos, a assinatura dos tratados de 1810 com a Inglaterra e a elevação do Brasil a Reino Unido. Essas medidas oficiais são vistas como provocadoras que resultara na independência brasileira. Houve outras mudanças em outros níveis, tão intensas e influentes quanto as resoluções e decretos oficiais, contribuíram de forma decisiva para o estabelecimento de novos padrões sociais, sobretudo, para a ruptura da condição de país colonizado. A criação de órgãos públicos e o funcionamento da maquina burocrático-administrativa estatal propiciaram uma convivência com as autoridades, estabelecendo uma relação de maior intimidade da elite colonial com o poder. As novas instituições, a circulação de jornais e a criação de estabelecimentos de ensino, estimularam diferentes formas de sociabilidade. Essa relação cotidiana com a corte e com o aparato que a cercava estabeleceu alterações profundas na sensibilidade da elite brasileira, modificando suas concepções acerca do papel representado pela colônia até então e firmando, aos poucos, a noção que o Brasil poderia se autogovernar. Rio de Janeiro: sede da monarquia. Apesar das melhorias feitas pelo vice-rei no final do século XVIII, o Rio de Janeiro, em 1808, ainda era, na visão dos nobres portugueses recém-chegados, uma cidade precária: sem palácios, com ruas estreitas e fedorentas, esgoto a céu aberto, uma cidade suja e mal cuidada. A chegada da corte provocou uma serie de transformações. Charcos foram drenados, as ruas, depois de ampliadas, ganharam calçadas, por exemplo, a Rua Direita (atual Rua do Ouvidor) no centro do Rio de Janeiro, foi toda modernizada e novos bairros, como Glória, Flamengo e Botafogo, foram praticamente criados. Esse processo intensificou-se principalmente após a chegada da missão artística francesa, em 1816, quando a cidade começou a adquirir um ar europeu. Para se ter uma idéia do seu crescimento, basta observar o aumento populacional: o numero de habitantes da capital passou de cinqüenta mil, para cento e dez mil habitantes em apenas dez anos. A chegada de D. João VI não transformaria apenas o especto da cidade. Houve a implantação de todo um aparato administrativo e político da metrópole, aproximando a elite local dos círculos de poder metropolitano, bem como os ritos e cerimoniais da corte. No livro: As Barbas do Imperador, de Lilia M. Schwarcz, (1998p36) nos conta: entraria no Brasil, também, toda uma agenda de festas e uma etiqueta real que, abaixo da linha do Equador, ganhou colorido ainda mais especial. Com efeito, vêm junto com a burocracia lusitana os te-déuns, as missas de ação de graças, as embaixadas, as grandes cerimônias da corte. A construção de monumentos, arcos do triunfo e a pratica de procissões, desembarcam com a família real, que tentou modificar sua situação desfavorecida repatriando, o teatro da corte e instaurando uma nova lógica do espetáculo que tinha entre outros, os objetivos de criar uma memória, dar visibilidade e engrandecer uma situação, no mínimo, paradoxal. A presença da corte fez aumentar a freqüência dos festejos públicos, pois a monarquia aproveitava todos os pretextos para promovê-los. Eram, por exemplo, aniversários, casamentos, nascimentos (e até funerais) da família real, cerimônias cheias de pompa e luxo ás quais o povo assistia admirados. A vida cultural e o movimento intelectual da cidade intensificaram-se. Criaram-se o Jardim Botânico , a Biblioteca Real, a Imprensa Regia , escolas e cursos superiores foram instituídos, jornais, e um maior numero de livros começou a circular. Aos poucos, os hábitos culturais foram mudando. Mais bailes e banquetes começaram a ser promovidos, principalmente quando a nobreza se propunha a receber algum membro da família real. O teatro São João foi inaugurado em outubro de 1813, e a partir daí, o Rio de Janeiro começou a receber diversas companhias européias de ópera. Além dos espetáculos teatrais, a sociedade carioca também promovia saraus literários, jogos de salão e pequenos concertos de câmara . Os membros da elite financiaram obras publicas e filantrópicas, refinando suas vestes e gestos, comportavam-se como fidalgos. Nesse jogo de troca de favores, recebiam em contrapartida privilégios, terras, insenções , direitos de exploração, títulos e etc. Era uma espécie de aprendizado de participação no jogo político, vivenciando o centro do poder, interferindo nas decisões importantes. A vinda da corte provocou um choque cultural em vários setores da sociedade carioca, refletindo-se em pequenos detalhes da vida cotidiana, no convívio com a nobreza, nos visitantes estrangeiros, na influencia da moda francesa, nos novos costumes. Nesse sentido, a cultura torna-se um instrumento da política, e o conhecimento uma forma de poder. As aparentes mudanças, no entanto não foram capazes de suprimir os velhos costumes, nem apagar completamente os traços característicos da velha cidade. Os antigos festejos de rua continuaram a se realizar, servindo de principal forma de entretenimento para as camadas mais pobres da população. Apesar do ar de civilidade que o Rio de Janeiro adquiria com os novos bairros, o cosmopolitismo dos viajantes, a variedade de produtos e as novas praticas culturais, ainda conservava muito da antiga cidade colonial. Pelas ruas se ouvia o vozerio das quitandeiras e negras de ganho, o soar dos tambores nos lundus e batuques, as brigas em torno dos chafarizes e os cânticos e rezas das festas religiosas de cunho mais popular, em que o sagrado e o profano se misturam como nas folias do divino Espírito Santo, ou na queima do Judas, nos sábados de aleluia. As festas populares não eram bem vistas pelas autoridades, as diversões dos negros, escravos e forros. Apesar dos novos ares, os costumes dos escravos continuavam permeando as práticas culturais da cidade, lembrando concretamente quais eram os limites e até onde as mudanças podiam ocorrer. Se o gosto pelo luxo e pelo conforto se enraizava nos hábitos da elite, costumes que ela considerava rudes e grotescos persistiriam no seio do povo. Obs: Com a vinda da corte, a elite do Rio de Janeiro redefiniu sua conduta. Começou a vislumbrar a perspectiva de juntar à sua força econômica a uma participação política maior. Como estava a Freguesia de São Gonçalo em 1808, na ocasião da chegada da Família Real? No livro São Gonçalo no Século XVIII ( Salvador da Mata e Silva-1998), nos conta o relatório do Marquês de Lavradio, oficial português que viveu no Brasil entre 1769 e 1779, diz o seguinte: “ Muito mais florescente era a freguesia de São Gonçalo, com 23 engenhos, produzindo 352 pipas de aguardente e 500 caixas de açúcar. O numero de escravos subiu a 952”. Mais adiante, o relatório acrescentava que não era somente a cana a única riqueza agrícola, mas que na freguesia também se cultivava mandioca, feijão, milho e arroz. No livro “Memórias Históricas do Rio de Janeiro”, de autoria do Monsenhor Pizzarro, transcrevendo trechos e mencionado dados estatísticos antes de fazer observações sobre as plantações de cana-de-açúcar, cultivo de café e de milho, procurando estabelecer uma analogia com a agricultura das terras de Minas Gerais. Ao longo do século XVIII, vários engenhos se desenvolveram e várias capelas e oratórios foram eregidos. Estima-se que existiam cerca de 200 engenhos que produziam, além da cana-de-açúcar, cultivavam cereais. A produção agrícola em São Gonçalo foi muito importante para o abastecimento dos mercados da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, da Minas Gerais (por causa da mineração) e para a exportação para Portugal. No relatório ao Vice-Rei, registrava a produção média anual de 3.000.000 de arrobas de açúcar, contando com aproximadamente quase mil escravos distribuídos entre os engenhos. Outro fato importante segundo monsenhor Pizzarro, as primeiras mudas de café plantadas no Brasil foram a São Gonçalo e Resende. No inicio do século XIX São Gonçalo teve relevante participação no cenário político econômico da cidade do Rio de Janeiro. Com os seus produtos abasteceu a mesa dos milhares de portugueses que acompanharam o rei de Portugal, quando fugiu do exército de Napoleão e instalou-se a corte real na cidade do Rio de Janeiro. “São Gonçalo fez bonito, nesse cenário político tão importante para a nossa história”. Alimentou as mais de quinze mil pessoas, junto com a família real, que passou o maior sufoco, quase três meses no mar. Portanto em 1808 a freguesia de São Gonçalo estava muito bem e em fase de progresso. Fonte de Pesquisa: São Gonçalo no século XVII (Salvador da Mata, 1998) acervo Memor São Gonçalo Suas Histórias e Seus Monumentos (Marcos Vinicius Varella - Nilda F. M. filha1999) Memor. As Barbas do Imperador (Lilia M. Schwarcz- 1998) Memor Memórias Históricas do Rio de Janeiro (Monsenhor Pizzarro) Memor 1808 – (Laurentino Gomes- 2007 ) |
sábado, 1 de agosto de 2009
A Corte desembarca na Colônia. E São Gonçalo como estava?
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